Promotor
Associação Zé dos Bois
Breve Introdução
Abdullah Miniawy Trio
Artista inquieto, Abdullah Miniawy está longe de estar conformado com o estatuto que foi adquirindo ao longo da última década. Teve álbuns laureados em instituições de renome (NPR, Pitchfork, Wire, Quietus, etc.), uma carreira no cinema (Tlamess, de Alaeddine Slim, que deu nas vistas) e reconhecimento pelo Parlamento Europeu enquanto agente de mudança que vive no espaço Schengen. Isso pouco importa. Importa o presente.
O presente, nos últimos anos, tem-se feito em trio, com os trombonistas Robinson Khoury e Jules Boittin, colaboração que tem alavancado a perspetiva sónica do compositor, escritor e cantor egípcio para outros níveis. O resultado apresenta-se em Peacock Dreams, editado em 2025, onde o jazz se confunde com drone, ideias de paisagens sonoras são derrubadas por construções épicas de ruído construído na miragem da música concreta e field recordings.
A vontade diplomática ocidental gosta de olhar para esta música como uma ponte entre ocidente e oriente, como se a vontade de um artista apenas existisse em fundir, criar pontes, existir na modernidade neste eterno balanço da história que tem como pilar o ocidente. Abdullah Miniawy salta por cima dessa necessidade congregadora, oblitera a tradição e cria o seu próprio palco.
A estranheza - sem exotismo - da música de Miniawy existe por saber a novo, porque as paisagens que constrói com Khoury e Boittin extravasam as fronteiras com que olhamos para a música. Por exemplo, e se isto não fosse tradicional, fosse só novo? Porque é novo. Em Peacock Dreams, os três artistas não criaram música de aceitação, mas um admirável mundo novo, sem ocidente ou oriente, somente aquilo que é. A voz de Miniawy eleva-se para lá do ruído, seja das paisagens cinzentas e indestrutíveis que os trombonistas constroem, ou daquele paternalista que nos faz olhar para esta música sempre como uma consequência de outra coisa. Não é. É uma força por direito próprio.
AS
Abertura de Portas
20:00
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